Muito antes da inauguração: como nasce uma experiência audiovisual para uma grande exposição

Escrito por julho 7th, 2026Projetos5 min. leitura

Quando o público visita uma exposição, normalmente enxerga apenas o resultado final: projeções, vídeos, instalações interativas, sonorização e experiências que parecem funcionar de forma simples e natural.

Mas, por trás dessa aparente simplicidade, existe um longo processo de criação, pesquisa, experimentação e desenvolvimento colaborativo.

Foi exatamente esse o desafio que o Estúdio Preto e Branco assumiu ao participar da exposição SESI 80 Anos, em cartaz no SESI Lab, em Brasília. Em parceria com a Expomus, fomos responsáveis pela concepção e produção das experiências audiovisuais e interativas da mostra, acompanhando o projeto desde suas primeiras discussões até a entrega final.

O audiovisual começa muito antes da produção

É comum associar o trabalho de um estúdio audiovisual à produção de vídeos, animações ou instalações digitais. No entanto, em projetos museográficos de grande porte, essa é apenas uma das etapas.

Durante meses, participamos de um processo intenso de desenvolvimento conceitual ao lado de uma equipe multidisciplinar formada por museólogos, historiadores, pesquisadores, educadores, arquitetos, cenógrafos, designers, especialistas em iluminação e diversos outros profissionais.

Cada decisão sobre o conteúdo audiovisual nasce do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento.

Como transformar um conceito histórico em uma experiência sensível? Como integrar tecnologia à narrativa sem que ela se torne protagonista? Como fazer com que diferentes públicos encontrem formas próprias de interação e aprendizado?

Essas perguntas orientaram todo o processo de criação.

Construindo caminhos antes de definir a solução

Ao longo do desenvolvimento, produzimos estudos, roteiros, propostas visuais, referências, fluxos de navegação e diferentes possibilidades de linguagem para cada ambiente da exposição.

Em vez de existir uma única resposta para cada desafio, surgem diversas alternativas.

Testamos abordagens, propomos novas soluções, avaliamos tecnologias, ajustamos formatos e refinamos continuamente cada experiência até que ela encontre seu equilíbrio entre conteúdo, narrativa, arquitetura e interação.

Grande parte desse trabalho permanece invisível para o visitante, mas é justamente ele que permite que a experiência final seja coerente, intuitiva e envolvente.

Integração entre arquitetura, cenografia e tecnologia

À medida que o projeto evolui, o desenvolvimento audiovisual passa a caminhar lado a lado com a arquitetura expositiva e a cenografia.

No caso da exposição SESI 80 Anos, trabalhamos em estreita colaboração com arquitetos e cenógrafos para integrar os conteúdos aos espaços físicos da mostra.

Isso inclui a definição de equipamentos, estudos de posicionamento de telas e projetores, especificação de sistemas audiovisuais, adequação da iluminação às projeções, planejamento da infraestrutura tecnológica e integração entre todos os sistemas da exposição.

Cada decisão técnica influencia diretamente a experiência do visitante.

Quando arquitetura, cenografia, iluminação, audiovisual e interatividade são concebidos de forma integrada, a tecnologia deixa de chamar atenção para si e passa a servir à narrativa.

As experiências desenvolvidas

O resultado desse processo pode ser visto em diferentes ambientes da exposição.

Entre eles, o vídeo “Manifesto”, que apresenta a origem do SESI a partir da Carta da Paz e dos princípios que orientam sua atuação.

Na sala CN-SESI, desenvolvemos um conjunto de instalações multimídia que conecta passado, presente e futuro da instituição. O espaço reúne um painel com informações das Diretorias Regionais, uma cabine interativa que incorpora fotografias dos visitantes a uma grande projeção de depoimentos e um mapa do Brasil em projeção mapeada, que apresenta a atuação nacional do SESI por meio de dados, indicadores e perspectivas para o futuro.

Já na exposição temporária, criamos experiências como o Mutoscópio do Sesinho, o game “Teste seu Reflexo” e uma Linha do Tempo composta por oito vídeos que apresentam os principais marcos da história da instituição.

Além da criação dos conteúdos, o Estúdio Preto e Branco foi responsável pela concepção audiovisual, roteiros, direção de arte, produção, animação, programação, integração de sistemas, instalação e sonorização de todas as experiências da mostra.

Muito além do audiovisual

Para nós, desenvolver um projeto audiovisual para uma exposição significa participar da construção de uma narrativa espacial.

Cada tela, cada projeção, cada som e cada interação fazem parte de uma experiência única, pensada para dialogar com a arquitetura, valorizar o conteúdo e aproximar o visitante da história que está sendo contada.

É por isso que nosso trabalho começa muito antes das câmeras e continua muito depois da última animação renderizada.

No Estúdio Preto e Branco, acreditamos que tecnologia, design e narrativa só fazem sentido quando trabalham em conjunto. É essa integração que transforma informação em conhecimento, espaços em experiências e visitantes em protagonistas da própria descoberta.